“De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama”
− Vinicius de Moraes.
[…] Estava sentada em um degrau qualquer, sozinha, quando vi duas crianças pequenas tentando se equilibrar no meio fio, como se esse fosse o maior obstáculo de suas jovens vidas. Sorri e me lembrei do tempo em que eu era assim, onde a maior montanha era um degrau mais alto, ao qual eu pulava sem medo de cair ou me machucar.
Como eu queria que esse tempo voltasse! Tudo era tão mais fácil, tão mais… inocente. Nos dias de hoje, o empecilho não são degraus, são verdadeiras montanhas, as quais você precisa escalar ou contornar. E as lágrimas? Essas são verdadeiros dilúvios, torrentes de sentimentos. Os sorrisos? Tornam-se cada vez mais raros e mais falsos.
Tudo muda tão rápido, muitos se vão, poucos ficam. Um minuto de calma, pode virar um minuto de desespero e em um minuto, o que existia não existe mais.
Sorrio para as crianças, dois meninos de aproximados cinco anos, que continuam a brincar, provavelmente se imaginando jovens e independentes. Mas espero que eles continuem sempre assim, totalmente sorridentes, sem nada com o que se preocuparem.
Realmente, espero que pelo menos essas crianças sejam completamente felizes. Como eu já fui um dia. (lagrimas-de-anjos)

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